Fé: confiança, entrega e gratidão 

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Desde o dia 03 de junho passei a empreender uma jornada a mais na minha vida sacerdotal, me exigindo principalmente a presença como filho. Meu pai foi internado no Hospital da Santa Casa de Misericórdia aqui de Porto Alegre. Sou filho único e junto com minha mãe passamos durante todo o mês de junho acompanhando diretamente a situação de saúde do meu pai, que precisava de uma cirurgia cardíaca para solucionar o problema sério de aneurisma da aorta. Já há muito tempo que venho acompanhando diretamente a situação de saúde dos meus pais. E mesmo como padre sempre fui uma presença constante com eles tendo a clareza de que, no meu ministério sacerdotal, estava incluída esta missão de deles cuidar com todo o carinho, empenho, dedicação, mesmo tendo clareza do que Jesus disse aos Apóstolos e seus seguidores para deixarem tudo – casa, pai, mãe, irmãos – e segui-lo radicalmente. Mas, isto não implica abandono dos pais. Pois bem, neste quase 30 dias de internação – a cirurgia foi no dia 24 de junho, dedicado a memória litúrgica da Natividade de São João Batista – me dispus a viver uma experiência de fé extremamente concreta. Até porque as pessoas muitas vezes olham em nós padres alguém como uma espécie de “profissional da fé”, “ministro do sagrado”, “funcionário de Deus”, alguém que lida com o sagrado, mas parece não entender tanto do humano. Pois é: nestes 30 dias deixei que viesse à tona todos os sentimentos: apreensão, angústia, esperança, certeza, dúvida e, acima de tudo, FÉ. Creio que esta foi a experiencia mais forte de todas. Nos meus diálogos íntimos conversava com Deus colocando sempre tudo “em suas mãos”. Acima de pedir, implorar ou suplicar pela saúde do meu pai, tentava primeiramente agradecer o que estava vivendo e pedia a Deus sim para amadurecer ainda mais na fé, na confiança e, claro, na gratidão. Às vezes, achamos ou reduzimos Deus a uma espécie de “caixa eletrônico”, de “quebra-galho”, a quem recorremos só quando necessitamos, quando estamos apertados financeiramente, mal de saúde ou em alguma outra enrascada e não temos a quem apelar. Uma fé madura e adulta sempre se traduzirá na confiança e na entrega. S. Paulo já dizia: “Sei em quem coloquei minha fé”. “Meu viver é Cristo”. Quando pediu para Deus afastar um aguilhão que lhe feria profundamente recebeu como resposta: “Basta-te a minha graça, porque na fraqueza é que és forte”. Em resumo, tudo correu bem. Com 82 anos a cirurgia de meu pai foi um sucesso. Na primeira semana de internação quando conversei com Dr. Fernando Lucchese e ele me sinalizou o dia da cirurgia – 24/06 – estava junto a Dra. Marcela (médica que fez a cirurgia no meu pai), fiz no final da conversa uma benção com ele, a doutora e sua equipe agradecendo o trabalho de toda a Sta. Casa e de seus profissionais. E, de novo, fiz referencia à FÉ como expressão máxima de confiança, entrega e gratidão. Partilho este pedaço vivido neste mês de junho como testemunho daquilo que diz o Salmo 32, 18-19: “Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria”. Agora meus pais retornam a Montenegro e como diz o jargão popular: “vida que segue”. Fica a gratidão a todos pelas orações e preces que vieram de inúmeras pessoas extremamente solicitas e amáveis neste momento mais desafiante que foi para mim e meus pais. Deus seja louvado.

Fraternalmente,

Pe. Rogério Luís Flôres
Pároco – Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus – Catedral Metropolitana de Porto Alegre

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