As Eleições

Precisamos de bons políticos
19 de setembro de 2018

Damos seguimento à reflexão sobre as eleições que acontecerão nesse mês de outubro. Inspiramo-nos novamente nas orientações do Papa Francisco aos políticos reunidos em Bogotá, em dezembro de 2017, texto encontrado na Cartilha de Orientação Política da CNBB. Inicialmente, recordamos ainda o importante destaque dado pelo Papa Francisco no documento Evangelii Gaudium, número 183: “Ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos. Uma fé autêntica – que nunca incomoda nem individualista – comporta sempre um desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela “. Na mensagem de vídeo enviada aos políticos o Papa destaca que “ a política é um serviço inestimável de dedicação para a consecução do bem comum da sociedade. Ela é, antes de tudo, serviço; não é serva de ambições individuais, de prepotência de facções e de centros de interesses.

 

É claro que não se deve contrapor o serviço ao poder – ninguém quer um poder impotente! – mas o poder deve estar ordenado para o serviço a fim de não degenerar. O ponto de referência fundamental de serviço, que requer constância, engajamento e inteligência, é o bem comum sem o qual os direitos e as mais nobres aspirações das pessoas, das famílias e dos grupos intermediários, em geral não poderiam se realizar plenamente, por que viria a faltar o espaço organizado e civil no qual viver e trabalhar”. Continua o Papa: “ Sentimos necessidade de reabilitar a dignidade da política. Se penso na América Latina, como não observar o descrédito popular no qual caíram todas as instâncias políticas, a crise dos partidos políticos, ausência de debates políticos de valor que visem projetos e estratégias a nível nacional e continental que vão além da politicagem. Faltam também a formação e o intercâmbio de novas gerações políticas. Por isso, os povos olham de longe e criticam os políticos e os veem como uma corporação de profissionais que cuidam dos próprios interesses ou os denunciam com raiva, por vezes sem as devidas distinções, como impregnados de corrupção. Precisamos de políticos que, em primeiro lugar, preservem o dom da vida em todas as suas fases e manifestações.

 

A América Latina precisa também de um crescimento industrial, tecnológico, auto sustentado e sustentável, ao lado de políticas que enfrentem o drama da pobreza e visem a equidade e a inclusão, por que não é verdadeiro desenvolvimento aquele que deixa multidões indefesas e continua alimentar uma escandalosa desigualdade social. Devemos nos encaminhar rumo a democracias maduras, participativas, sem as chagas da corrupção”. O Papa ainda aborda o tema da educação, da cidade e da vida pública. Pede uma educação integral que começa na família e se desenvolve numa escolarização de qualidade para todos. Insiste no reforço do tecido familiar e social, dos vínculos fundamentais de humanidade e sociabilidade e pede para se lançar fundamentos sólidos para uma amizade social que deixe para trás as garras do individualismo e da massificação, da polarização e da manipulação. A cidade deve ser vista como espaço para realização da vida do nosso povo. Devemos ter um olhar de fé que descubra Deus que habita nas suas casas, nas suas ruas, nas suas praças.