“Escolhe, pois a vida” (Dt 30,19)

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O versículo bíblico citado é o lema episcopal de D. Ricardo Hoepers, bispo da Diocese de Rio Grande, doutor em Teologia Moral e Bioética pela Academia Alfonsiana, de Roma, e que esteve na segunda, 06/08, como representante da CNBB na audiência pública sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, interposta pelo PSOL para tentar descriminalizar o aborto no Brasil até a 12ª semana de gestação.

Conforme nota da CNBB de 11 de abril de 2017, “Pela vida, contra o aborto, destacam-se os seguintes fundamentos e critérios da posição da Igreja Católica: ‘defender a vida na sua integralidade, inviolabilidade e dignidade, desde a concepção até a morte natural. O direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos e, por isso, em primeiro lugar, não se trata de um discurso religioso ou fundamentalista por parte da Igreja, mas de uma verdade científica que reconhece e comprova o início da vida na concepção””. Aliás, é paradoxal que se atire tantas pedras contra a Igreja quando se trata de condenar a caça às bruxas na Idade Média e a queima dos hereges pela Inquisição (pedaço da História que precisa ser bem analisado para não se cair em anacronismos e muito menos em juízos temerários e superficiais) e hoje temos uma cultura que de um modo geral nega o direito fundamental à vida. Na 12ª semana de desenvolvimento da vida humana temos um coração batendo, rins, estômago, fígado funcionando e mais: uma vida frágil que não pode se defender. É completamente desproporcional, injusto e irracional defendermos um crime contra nós mesmos até a etapa quando se pode interromper esta vida. O aborto sempre será um crime hediondo assim como serão hediondos todos os outros crimes contra a vida humana nas diferentes fases ou situações de vulnerabilidade, como o embrião, o feto, a criança, o jovem, o idoso, a pessoa com deficiência, etc. Também é estranho que esta matéria seja conduzida desta forma com a escolha desproporcional das posições que representam a sociedade brasileira e a prioridade dada a instituições de interesse internacional prevalecendo sobre a nossa legislação brasileira. Igualmente fica difícil compreender que um assunto de tamanha relevância se limite a dois dias de argumentação e fique na esfera do Judiciário em vez do Legislativo. É uma falácia para quem defende o aborto usar do argumento da questão de saúde pública, saneamento básico ou mesmo a situação frágil das mulheres como se isso justificasse negar a vida ao ser humano. Então, que as políticas públicas ataquem estes setores e façam a sua parte como já mostrou uma das Campanhas da Fraternidade sobre esta questão delicada do saneamento básico. E que se dê amplo raio de ação às políticas protetivas à mulher, dando-lhe segurança e acompanhamento necessários, mas não se penalize uma vida que está para nascer. D. Ricardo citou as iniciativas das casas de acolhimento como exemplo de ação concreta, eficaz e salutar às mães e como salvaguarda da criança (nascituro). Enfim, vamos sempre ouvir a crítica em relação à Igreja e aos cristãos de que “somos contra o aborto” e na esteira deste assunto “contra os métodos anticonceptivos artificiais”. Isto não é verdade. Somos, em primeiríssimo lugar, a FAVOR da VIDA HUMANA e, da mesma forma, a FAVOR de sexualidade humana bem vivida no projeto de comunhão que Deus quer para a Humanidade. “Escolhe, pois a Vida”, pois, Deus é Senhor e Amigo da Vida.