Fraternidade e superação da violência

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No dia 14 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o tempo litúrgico da Quaresma e também tivemos a abertura da tradicional Campanha da Fraternidade que acontece na Igreja do Brasil desde 1964. Neste ano de 2018 o tema proposto é “Fraternidade e superação da violência“ e o lema “Vós sois todos irmãos“ inspirado no Evangelho de Mateus, capítulo 23, versículo 8. Conforme o texto-base o objetivo geral da CF/2018 é “construir fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, a luz da Palavra de Deus, como caminho da superação da violência“.

Na apresentação do texto-base D. Leonardo Ulrich Steiner, secretário-geral da CNBB, lembra que “sofremos e estamos quase estarrecidos com a violência. Não apenas com as mortes que aumentam, mas também por ela perpassar quase todos os âmbitos da nossa sociedade. A ética que norteava as relações sociais está esquecida. Hoje, temos corrupção, morte e agressividade nos gestos e palavras. Assim, quase aumenta a crença em nossa incapacidade de vivermos como irmãos“. Conforme o texto-base “por ‘violência cultural’ entendem-se as condições em razão das quais uma determinada sociedade reconhece como violência atos ou situações em que determinadas pessoas são agredidos. Criou-se processos que fazem aparecer como legítimas certas ações violentas. Elaboram-se discursos para apresentar razões e justificativas como se uma ação violenta fosse devida, uma consequência de determinadas condutas da própria pessoa que sofreu violência. Portanto, a violência cultural não é, necessariamente, uma causa da violência direta, mas cria as condições em meio as quais chega tornar-se difícil, para sociedade, reconhecer um sistema violento.” Todavia, não podemos em hipótese alguma nos conformarmos com a violência que é estar hoje com índices cada vez mais alarmantes. D. Leonardo faz questão de frisar o que está na origem da humanidade como projeto que vem de Deus que também significa meta para o futuro. Diz o secretário-geral da CNBB: “ se partimos do texto sagrado que indicou caminho das origens de todo universo, ficamos admirados com harmonia das relações: ‘ e Deus viu que tudo era bom‘(Gn 1,25). A origem do homem da mulher são ainda mais admiráveis: ‘Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança (…) Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher os criou‘ (Gn 1,26-27). Confiou ao homem e à mulher o cuidado da obra criada. E, assim, nos diz o texto que ‘Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom’” (Gn 1,31). E complementando sua reflexão D.  Leonardo conclui: “A violência vem depois. Nasce do esquecimento das origens, da vocação do ser humano: o amor. Os descaminhos, no entanto, podem ser superados com a volta às origens, com reconciliação e a misericórdia. Somos chamados à superação da violência, pois somos filhos e filhas de Deus.“