O Dom da Maternidade

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Não é apenas no Dia das Mães, celebrado sempre no segundo domingo de maio, que nos voltamos para celebrar, agradecer, refletir e também pedir por todas as Mães: hoje, com certeza, deve ser uma tarefa diária. A situação da família como um todo encontra-se numa grande crise cujos reflexos na sociedade são evidentes. Não é necessário ser um gênio para nos darmos conta de que a realidade violenta e cada vez mais cruel com o ser humano nos dias atuais tem como uma de suas causas o desmantelamento da família. Neste sentido, podemos acrescentar que está em crise a grande e sublime vocação gravada pelo Criador no íntimo da Humanidade, ou seja, a capacidade de Paternidade e de Maternidade.

Não temos dificuldade de dominar e usar cada vez mais com agilidade e rapidez uma parafernália eletrônica que ocupa mais o nosso tempo. Mas, não conseguimos viver, o que é típico de nossa humanidade. A impressão é que vamos pouco a pouco perdendo o sentido mais autêntico de ser homem e mulher, criança e jovem, adulto e idoso. Enfim, não sabemos mais sermos simplesmente humanos.

O Império Romano entre os séculos I e IV assistiu uma grande expansão dos cristãos que passaram dos anos 60 (séc. I) de 3 mil pessoas para 30 milhões em meados do século IV (350). Uma das razões desta expansão vertiginosa foi exatamente o cuidado que a Igreja tinha com os fundamentos e os valores mais nobres da humanidade. Para o Império, as jovens podiam casar-se a partir dos 12 anos, com frequência realizavam abortos, e o que resultava, também, na morte de muitas mulheres e em problemas sérios de saúde para as que sobreviviam.

Com o Cristianismo a figura da mulher foi extremamente protegida. As jovens cristãs podiam casar-se a partir dos 18 anos, não praticavam o aborto, cuidavam dos filhos e da família e tinham participação ativa na comunidade cristã, tanto que, entre os cristãos, tinham mais mulheres do que homens.

Como herança do Império Grego e da própria filosofia grega, os romanos não tinham o costume da prática da caridade e da misericórdia com o próximo. Crianças que nasciam com deformações eram abandonadas, e muitas deixadas nas ruas. Pobres, mendigos, doentes, órfãos, estrangeiros e viúvas, tinham sérios problemas de sobrevivência no Império Romano. Os cristãos começaram a mudar esta lógica. Nas grandes epidemias foram eles que no cuidado com os doentes chegaram a sacrificar suas vidas no cuidado com os seus semelhantes.

Enfim, o cuidado e a valorização da família foram sempre centrais no Cristianismo e na atividade pastoral da Igreja desde os seus primórdios. Nunca esteve separada a missão de Evangelização da formação e cuidado com a família. Além do próprio dom da maternidade que Deus gravou na natureza feminina, a transmissão da fé foi também elemento decisivo para que os cristãos se firmassem num Império que ruiu a partir de 476.

Neste dia 13 de maio, dia de N. Sra. de Fátima, da sua aparição aos três pastorinhos em Portugal e também Dia das Mães, com certeza nos remetemos a figura de Maria Santíssima lembrando as sábias palavras de sua prima Isabel na visita que recebeu dela: “Feliz és tu que creste, porque se cumprirá o que o Senhor te disse” (Lc 1,39-45).

Com certeza esta é uma das chaves a apontar a solução para os nossos problemas de hoje. Precisamos como Maria resgatar a verdadeira fé em Deus, só ela será capaz de valorizar e proteger o ser humano, construir uma sociedade justa, pacífica, solidária e, diferente do Império Greco-romano, capaz de misericórdia e caridade com os fracos.

Está na hora de acordarmos para o dom da Fé e o verdadeiro dom da Maternidade e Paternidade.