Precisamos de bons políticos

“Escolhe, pois a vida” (Dt 30,19)
10 de agosto de 2018
As Eleições
5 de outubro de 2018

“Há necessidade de dirigentes políticos que vivam com paixão o seu serviço aos povos, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que sejam abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, que conjuguem a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação”. (Papa Francisco aos políticos latino-americanos, 1-3 de dezembro de 2017).

A citação acima é da Cartilha de Orientação Política apresentada oficialmente por D.Jaime, arcebispo metropolitano de Porto Alegre, entregue no encontro em agosto passado com os candidatos aos cargos eletivos. Também foram distribuídos inúmeros exemplares em toda as comunidades da Arquidiocese bem como do Rio Grande do Sul, já que é uma produção em parceria entre a Arquidiocese e o Regional Sul 3 da CNBB que compreende as 14 dioceses e 4 arquidioceses de nosso Estado. Na primeira página a cartilha já deixa claro e evidente que “focaliza as eleições de 2018, na ótica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), instituição que não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político”. Desenvolve depois 4 capítulos: Preocupações, A Igreja e as eleições, eleições 2018 e alterações na Lei Eleitoral e, por fim, a corresponsabilidade pelo Brasil. Por se tratar aqui de um artigo, fixamo-nos na parte 4 – corresponsabilidade pelo Brasil – que traz indicativos muito interessantes. Antes das eleições:

  • tenha interesse pela política; escolha candidatos que têm boa índole;
  • cuidados necessários (com candidatos despreparados, sem metas claras, com interesses escusos, oportunistas ou com promessas exageradas);
  • conheça o estatuto do partido ao qual pensa votar;
  • procure conhecer a história e o programa de governo dos seus candidatos;
  • é oportuno se perguntar sobre o projeto do candidato, com quem ele está comprometido, que expectativas posso ter em relação a ele?;
  • se é candidato à reeleição também verifique seu mandato anterior, pontos positivos, tem história de promoção da justiça e direito para todos, o que justifica sua reeleição?;
  • compromissos honrados e transparência;
  • compromissos com políticas públicas em favor de todos.

Fique atento! O problema da fake news, isto é, notícias falsas. Antes de compartilhar qualquer mensagem: verifique a fonte da informação em sites ou veículos de comunicação confiáveis; cuide com as manchetes bombásticas, leia a matéria completa e não apenas o título; veja que é o autor da informação e se ele realmente existe; observe a data da publicação, se é atualizada; questione se a informação é uma piada, ironia ou gozação. Vote em quem: apresenta uma sincera adesão aos valores cristãos; tem efetiva competência política e reconhecida capacidade de liderança; defende a vida, desde a concepção até o seu fim natural, e a dignidade do ser humano; defende a família, segundo o plano de Deus; possui histórico de comprometimento com as causas dos mais necessitados; tem atitude de respeito para com os seus adversários políticos; apresenta coerência entre palavras e atitudes; manifesta um comportamento público que inspira confiança e credibilidade. Não vote em quem: é reconhecidamente desonesto; promete fazer aquilo que não é de sua competência; tenta comprar seu voto; coloca o lucro e a economia acima de tudo; faz da política uma profissão; apresenta atitudes agressivas; muda frequentemente de partido; é arrogante, demagogo e não apresenta propostas efetivas; atenta contra a vida dos pobres e sua dignidade; não inspira confiança. Por fim, os 7 pecados capitais do eleitor: não votar; vender ou trocar o voto; não ter convicção; não conhecer; deixar-se influenciar; não respeitar a opinião do outro; deixar de acompanhar. E, para completar, o perfil do bom político: assume a política como serviço ao bem comum; vive a política como diálogo e não como confronto; possui uma proposta coerente; tem conduta ética, respeita e aplica a Constituição; defende a vida em todas as suas fases; defende a democracia; tem coração e mente abertos a todos; promove a justiça social e os direitos humanos; é humano e popular, sem ser populista; tem sensibilidade ecológica, é inovador, empreendedor e administrador.