Quem nos surpreende é Deus

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O episódio já foi destacado amplamente  na mídia depois do domingo 15 de abril, quando houve a audiência pública do Papa Francisco numa paróquia da periferia de Roma.

Entre as diversas pessoas que faziam perguntas ao Papa, surgiu um menino, Emanuele, que chorava intensamente antes de perguntar. Ao pé do ouvido, o Papa pediu a ele para expressar o seu questionamento e dizer do que se tratava. Sem hesitar, o menino concordou.

Então, o Papa Francisco explicou aos fiéis que Emanuele estava angustiado porque não sabia se o seu pai, falecido há alguns meses, estava no céu. Mesmo descrente, o pai do menino havia permitido aos seus filhos o Sacramento do Batismo.

Um destaque importante este acontecimento foi, novamente, a capacidade de o Papa surpreender o público, dirigindo-se imediatamente aos fiéis e confirmando que Deus não abandona seus filhos quando são bons.

Sendo assim, Emanuele, poderia ficar tranquilo, com a certeza da fé de que seu pai está no céu junto de Deus. Ainda que o Sumo Pontífice tenha esta presença de espírito e sagacidade para se sair bem nestas situações, fica evidente, atrás de todo o episódio, outro fato que a nossa cultura não percebe: em última análise, “Deus nos surpreende!”

 

 

O Concílio Vaticano II já havia afirmado que no Juízo Final Deus avaliará os descrentes e ateus a partir do bem que praticaram e do quanto buscaram a verdade. E, o próprio Papa Francisco, afirmou este conceito, pedindo aos cristãos e a todos a capacidade de abrirmo-nos e deixarmo-nos surpreender pelo Amor e Misericórdia de Deus, infinitamente além do horizonte limitado e obtuso, muitas vezes nos caracterizando.

Talvez, hoje, esta seja uma das dificuldades em nosso mundo secularizado e quebrado humanamente: não permitir mais ver a vida como um todo e a partir do horizonte de fé.

Nem sabemos se dá para afirmar que ficamos num plano somente horizontal, ou seja, de amor humano, de amizade entre as pessoas, de relações fraternas, porque nem esse plano existe mais.

Na medida em que uma sociedade cai na dimensão patológica da secularização, isto é, no secularismo, e perde todo o horizonte de fé, crença, mística e espiritualidade, com certeza, também se dá o processo acelerado de uma desumanização sem precedentes.

Nossa sociedade ocidental está pagando um preço caro por essa realidade. Ainda que o século XXI ou o Terceiro Milênio do Cristianismo assinale uma busca novamente incansável pelas raízes da espiritualidade, e pensadores destaquem este tempo como a “revanche de Deus”, teremos um longo caminho pela frente para recuperar o que foi cultivado pela longa tradição cristã e outras de igual importância.

Todavia, importa caminhar, “navegar é preciso”, por isso, o II Caminho de Porto Alegre, realizado neste domingo (22), é um sinal de esperança, reunindo diversos peregrinos na caminhada de 21 km entre a Catedral Metropolitana e o Santuário Sta. Rita de Cássia, na Zona de Sul de Porto Alegre.

O essencial é sempre ter um objetivo, seguir um trajeto, cumprir as etapas, superar o cansaço, vencer o desânimo e, enfim, chegar ao objetivo almejado. É importante poder confraternizar com todos fazendo o retrospecto das surpresas de Deus, tendo a certeza da qual a maior delas será o Céu.