“Páscoa – Passagem – Superação da Violência”

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Logo mais chegará a Festa da Páscoa. É preciso que se diga Festa porque para os judeus celebra a saída da escravidão do Egito e para os cristãos a vitória de Cristo com sua Paixão, Morte e Ressurreição sobre a escravidão do pecado e seu resultado, a morte. Com o Mistério Pascal de Cristo definitivamente os poderes infernais do mal estão vencidos.

Não há mais porque se pregar sobre a influência do demônio, encostos, possessão demoníaca uma vez que Cristo destruiu por completo a raiz do mal com a oferta de sua vida. O diabo está liquidado pela ação de Jesus. Como disse um colega padre: “em Jesus cessa toda a violência”. De outro lado, para quem duvida dessa superação do mal e ache que nada mudou depois de Jesus Cristo, a lição que fica é que, tanto para crentes como para não crentes, a mudança precisa também ser feita por nós. Não se pode esperar que Deus faça uma mágica em nossa vida. O seu Filho Jesus assumiu a sua missão e cumpriu o seu papel, fez e continua fazendo de sua vida uma oblação total pela nossa autêntica liberdade.

 

 

Todavia, na visão da fé cristã sobre a vida humana é preciso que também o ser humano faça a sua parte. Deus dá a graça da salvação, mas cabe-nos uma tarefa, devemos nos empenhar de corpo e alma na acolhida desta salvação e na resposta positiva com nossos gestos de bondade, perdão, fraternidade, justiça, paz, amor e solidariedade. Neste sentido todo o dia se descortina para o cristão como uma oportunidade de crescer, de conhecer melhor a Deus, a si mesmo, o seu semelhante e o próprio mundo.

Com razão dizia um teólogo em meados do século passado que a vida eterna, a vida no céu junto de Deus não será um marasmo, uma vida parada, mas na relação de amor com Deus estaremos vivendo a dinâmica da criação e do crescimento. A vida no céu será dinâmica, a criatura continuará conhecendo no amor o seu Criador. Na perspectiva cristã viveremos a comunhão dos santos no amor do Deus Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Será sempre mais uma passagem, agora não mais do sofrimento e da dor para um estágio diferente e melhor, mas para dentro do coração da Trindade. Esta sim será a Páscoa definitiva, a aliança final em que contemplaremos Deus face a face. Com razão afirmava S. Paulo: “Foi para liberdade que Cristo nos libertou” (Gal 5,1). De outro lado, ainda no mundo, campo de missão, o cristão, seja pessoal e comunitariamente, testemunha este sentido vivo e salvador da vida eterna.

 

 

É bem diferente da visão “ópio do povo” como afirmava Marx ou também diametralmente oposta à imagem capitalista de um céu cheio de prazeres, regado a muita bebida e “festinhas sacanas”. Também não caminharemos para saudades eternas após nossa morte, mas, na perspectiva cristã, para a comunhão eterna entre Deus e os santos. E Deus quer salvar a todos e não apenas uma “panelinha”. Mais ou menos consciente ou praticante de uma fé religiosa, importa acima de tudo viver o bem e buscar a verdade no conjunto das relações de nossas vidas. Quem tem a graça de viver sua fé no Cristo Crucificado e Ressuscitado já sabe com certeza o que significa a caminhada para o Céu, para a comunhão plena de amor em Deus. E, por isso, sua missão é de testemunhar a este “mundão” tão cheio de contradições a vontade plena de Deus de salvar a todos. Deixemo-nos tocar por este amor tão profundo e tão misterioso que entregou e continua entregando o seu Divino Filho pela salvação de toda Humanidade. Feliz e abençoada Páscoa a todos.

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